Seguimos o fio do algodão até ao Senegal para conhecer pessoas que dominam a tecelagem e partilhar com elas o desafio da complexa padronagem do Pano d’Obra de Cabo Verde. Em Dakar, a equipa foi recebida pela artista e designer têxtil Johanna Bramble no seu estúdio, onde tivemos a oportunidade de conversar com a sua equipa, Jean Paul Mendy, Jo Pereira, Patrick Tendeng, Sarah e Antoine Diédhiou. A observação dos teares e dos processos de construção dos padrões abriu espaço para analisar, em conjunto, um Pano d’Obra levado de Santiago. A complexidade da padronagem, a espessura dos fios e a quantidade e qualidade da matéria-prima necessária tornaram mais evidente o desafio da sua reinterpretação.
No norte do Senegal, em Saint-Louis, envolta de mar, encontrámo-nos com Mäi Diop. A mestre tecelã é investigadora e apaixonada pela panaria tradicional cabo-verdiana há várias décadas. Mäi abriu o seu atelier para que conhecêssemos o seu projeto e a equipa que a acompanha, Patrick, Papiss, Assan, Wali e Binta. A visita proporcionou um momento de partilha do seu imenso conhecimento sobre o Pano d’Obra e os seus padrões. O Pano d’Obra foi analisado em conjunto, em diálogo com outras peças, técnicas e experiências de tecelagem. A visita permitiu aprofundar questões ligadas à qualidade do fio, ao tingimento natural e à transmissão dos saberes associados à panaria tradicional.
A viagem ficou concluída com a visita à região sul do Senegal, Sine Saloum, onde fomos ao encontro da artista têxtil e tecelã Fatim Soumaré. Com poiso em Djilor, Fatim guiou-nos pelo seu estúdio de tecelagem e criação artística, e apresentou parte da equipa Falé, Khady Gning, Marie-Louise Bakhou, Joã Diop e Linda da Silva. O atelier permitiu-nos acompanhar diferentes etapas da transformação do algodão e compreender a articulação entre a fiação artesanal realizada por mais de uma centena de mulheres das ilhas vizinhas, a tecelagem e a produção das peças Falé. Seguimos para duas das ilhas onde Fatim trabalha com diferentes grupos de mulheres fiandeiras. Junto delas, partilhámos práticas de fiação e conhecemos processos que facilitam a execução do trabalho. Foi um momento de passagem do saber-fazer e de muita ternura, também. Uma experiência inesquecível.